Split payment no delivery: como blindar seu caixa em 2027
Abrasel: 60,9% dos bares e restaurantes não estão prontos para a reforma. Veja o que o split payment muda no caixa do seu delivery e o que fazer antes de 2027.
A Abrasel divulgou em agosto que 60,9% dos donos de bares e restaurantes não se sentem preparados para a próxima etapa da reforma tributária. O ponto que mais gera dúvida é o split payment, o mecanismo que separa o imposto na hora do pagamento. Para o delivery, isso significa menos dinheiro entrando no caixa a cada pedido, mesmo vendendo igual.
A pesquisa: 6 em cada 10 donos não se sentem prontos
Segundo o portal Contábeis, que divulgou o levantamento em 25 de agosto de 2026, a Abrasel ouviu 1.480 empresários de todas as regiões do país entre os dias 20 e 28 de julho.
O retrato é este:
- 43,9% se consideram pouco preparados
- 17% dizem estar nada preparados
- Somando os dois grupos, 60,9% não se sentem prontos
- Apenas 22,9% se dizem preparados ou muito preparados
O presidente da Abrasel, Paulo Solmucci, avalia que a preparação do setor exige um esforço maior de esclarecimento. Traduzindo para a realidade da sua cozinha: a maioria vai descobrir o tamanho do impacto quando ele já estiver aparecendo no extrato.
E o item que mais confunde tem nome e sobrenome. O funcionamento do split payment está entre as dúvidas de 34% dos entrevistados.
O que é split payment, em português de cozinha
Hoje o fluxo é simples. O cliente paga R$ 100, os R$ 100 caem na sua conta e você recolhe o imposto depois, dentro do prazo legal. Esse intervalo entre receber a venda e pagar o tributo é capital de giro disfarçado. É com esse dinheiro que muita pizzaria paga o fornecedor de queijo na segunda-feira.
O split payment acaba com esse intervalo. Conforme explicou o Jornal Paraná em reportagem sobre a transição, o IBS e o CBS passam a ser separados no próprio momento do pagamento: a parcela do imposto é direcionada ao Fisco e o estabelecimento recebe apenas o valor líquido da operação.
O mecanismo em uma tabela
| O que acontece | Hoje | Com split payment |
|---|---|---|
| Cliente paga o pedido | R$ 100 | R$ 100 |
| Cai na sua conta | R$ 100 | R$ 100 menos o imposto |
| Quando o imposto sai do caixa | semanas depois | no ato do pagamento |
| Dinheiro disponível para girar | maior | menor |
Os valores acima são ilustrativos, só para você enxergar o mecanismo. A alíquota efetiva do seu negócio depende do regime tributário e do desconto previsto para o setor de alimentação, e é exatamente isso que o seu contador precisa calcular antes da virada. Se você ainda não entendeu como esse desconto funciona, vale ler o erro na nota que custa 40% de desconto.
Por que o delivery sente mais que o salão
1. Praticamente tudo é digital. No delivery quase não existe dinheiro em espécie: é cartão, é Pix, é repasse de app. Como a separação do imposto acontece no meio de pagamento, o delivery é o primeiro a sentir. O peso do Pix no setor já ficou claro na pesquisa da Abrasel sobre meios de pagamento.
2. A margem já é fina. Depois de comissão de app, embalagem, entrega e cupom, sobra pouco de cada pedido. Qualquer valor que sai antes da hora aperta. Se você nunca fez essa conta item a item, comece pelo custo por pedido no delivery.
3. O repasse do app já demora. Você vende hoje e recebe daqui a alguns dias. Com o imposto saindo no ato, o descompasso entre pagar fornecedor e receber do app fica mais evidente. Não é imposto novo, é imposto que sai mais cedo. E na prática, para quem trabalha com giro apertado, o efeito no dia a dia é o mesmo de um custo a mais.
O que muda no calendário
A reportagem cita o cronograma da Receita Federal: empresas optantes pelo Simples Nacional precisarão emitir documentos fiscais com informações de IBS e CBS a partir de 1º de janeiro de 2027. Para quem está no Lucro Real e no Lucro Presumido, a exigência de destacar os novos tributos na nota já começou, como detalhamos em IBS e CBS na nota fiscal.
Ou seja: quem é Simples tem alguns meses. Não é muito tempo quando a mudança mexe com sistema de PDV, cadastro de produto e formação de preço.
5 ações para fazer nas próximas semanas
1. Peça uma simulação ao contador. Não pergunte "vou pagar mais imposto?". Pergunte: "quanto vai cair na minha conta a cada R$ 100 vendidos, e em que dia?". A resposta que interessa é de fluxo de caixa, não de alíquota.
2. Refaça a conta de quanto sobra por pedido. Refaça considerando o valor líquido, não o bruto. Na Up, esse é o primeiro número que pedimos de qualquer pizzaria ou hamburgueria nova, antes até de falar de anúncio. Foi assim com a Madonna Pizzas e com o Templo do Kalzone.
3. Recalcule o seu ponto de equilíbrio. Se entra menos dinheiro por venda, a meta diária muda. A fórmula está em ponto de equilíbrio no delivery.
4. Reforce o canal próprio. Atenção ao que o canal direto resolve e ao que não resolve: ele não te livra do imposto, mas te livra da comissão do app e encurta o prazo de recebimento. Com menos dinheiro parado no meio do caminho, o giro respira.
5. Arrume o cadastro agora, não em dezembro. Descrição de produto, NCM, sistema de emissão e integração com o app. Empresa que deixa para a última semana costuma virar o ano emitindo nota errada.
Perguntas frequentes
O split payment já está valendo hoje?
Não para todo mundo. A transição é gradual e começa pelos pagamentos eletrônicos, com etapas definidas no cronograma da reforma. O que já é certo é o calendário fiscal: quem está no Simples Nacional passa a emitir documento com IBS e CBS a partir de 1º de janeiro de 2027, segundo a Receita Federal.
Vou pagar mais imposto por causa do split payment?
O split payment não cria imposto novo nem muda a alíquota. Ele muda o momento em que o dinheiro sai do seu caixa: em vez de recolher depois, o valor é separado no ato do pagamento. O impacto real é no capital de giro, não na carga tributária.
Quem está no Simples Nacional é afetado?
Sim. A pesquisa da Abrasel mostra que a maior parte do setor não se sente preparada, e o Simples tem data marcada para emitir nota com IBS e CBS: 1º de janeiro de 2027. Vale conversar com o contador agora para saber se compensa manter o regime atual.
Como saber se meu delivery aguenta essa mudança?
Faça duas contas simples: quanto sobra de cada pedido depois de todos os custos, e quantos dias o seu caixa aguenta sem receber nada. Se a segunda resposta for menor que o prazo de repasse dos apps, o giro está apertado e o ajuste precisa começar antes de 2027.
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