[ Mercado ] 2 out 2026 · Equipe Up Assessoria · 6 min de leitura
Salário mínimo de R$ 1.741 em 2027: prepare sua folha
Orçamento de 2027 prevê salário mínimo de R$ 1.741, R$ 120 a mais por funcionário. Veja quanto isso pesa na folha do seu delivery e o que fazer agora.
O projeto de Orçamento de 2027 enviado ao Congresso prevê salário mínimo de R$ 1.741, contra os R$ 1.621 de hoje. São R$ 120 a mais por mês em cada funcionário que ganha o piso. Para o dono de delivery, isso significa uma folha mais cara já em janeiro de 2027, e quatro meses para ajustar preço, escala e produtividade antes que a conta chegue.
O que foi anunciado
Segundo o Congresso em Foco, o Executivo enviou ao Congresso, em 31 de agosto, a proposta orçamentária de 2027 com salário mínimo de R$ 1.741. O valor é R$ 120 maior que o piso atual e supera os R$ 1.717 que a Lei de Diretrizes Orçamentárias havia projetado, segundo a Agência Senado.
Duas ressalvas importantes. A primeira: o número ainda pode mudar, porque a correção final depende do INPC medido até novembro. A segunda: o mesmo projeto trabalha com inflação de 3,6% e PIB de 2,46% em 2027, ou seja, o governo projeta que o piso suba acima da inflação prevista.
Vale lembrar como foi a virada deste ano. O salário mínimo de 2026 ficou em R$ 1.621, um reajuste de 6,79% sobre os R$ 1.518 de 2025, confirmado pelo governo em dezembro. Quem foi pego de surpresa naquele janeiro sabe o efeito: a folha subiu, o cardápio continuou igual e a margem apertou.
Quanto isso pesa na folha do seu delivery
A conta direta é simples de fazer. Cada pessoa que recebe o piso custa R$ 120 a mais por mês. No ano, são R$ 1.440, mais o décimo terceiro proporcional a esse aumento, o que leva o impacto para cerca de R$ 1.560 por funcionário, antes dos encargos.
E os encargos vêm em cima disso. O FGTS de 8% incide sobre cada real a mais de salário, o terço de férias também sobe, e quem está fora do Simples Nacional ainda soma o INSS patronal. Na prática, o custo real por funcionário fica acima dos R$ 1.560 anuais.
| Cenário na cozinha | Aumento por mês | Aumento no ano (com 13º) |
|---|---|---|
| 1 funcionário no piso | R$ 120 | cerca de R$ 1.560 |
| 3 funcionários no piso | R$ 360 | cerca de R$ 4.680 |
| 5 funcionários no piso | R$ 600 | cerca de R$ 7.800 |
| 8 funcionários no piso | R$ 960 | cerca de R$ 12.480 |
Os valores da tabela são cálculo simples sobre o piso proposto, sem encargos. Um delivery com cinco pessoas na cozinha e no balcão precisa gerar quase R$ 8 mil de faturamento adicional em 2027 só para empatar essa diferença, e isso considerando margem de 100%, o que não existe. Com margem de contribuição de 30%, por exemplo, o faturamento extra necessário passa de R$ 25 mil no ano.
O que fazer agora, com quatro meses de folga
1. Refaça o ponto de equilíbrio com o piso novo. Coloque R$ 1.741 na planilha e veja quantos pedidos por dia você passa a precisar. Se você nunca fez essa conta, comece pelo ponto de equilíbrio no delivery. É o número que diz se o mês fecha no azul antes de o mês começar.
2. Descubra o custo real de cada pedido. Mão de obra entra no custo por pedido junto com embalagem, taxa de plataforma e entrega. Vale revisar o custo por pedido antes de decidir qualquer reajuste de cardápio.
3. Ataque a hora ociosa antes de cortar gente. Folha cara não se resolve demitindo, se resolve produzindo mais na mesma hora paga. Se a sua cozinha trava às sextas e fica vazia às terças, o problema é escala, não headcount. Os ajustes para destravar o horário de pico costumam devolver mais dinheiro do que qualquer corte.
4. Programe o reajuste de cardápio para antes de janeiro. Subir preço em janeiro, junto com o piso novo e com a conta de luz alta, concentra todo o desgaste com o cliente num mês só. Faça o movimento em novembro ou dezembro, item a item, do jeito que descrevemos no guia de reajuste de preço no delivery.
5. Contrate com critério enquanto o mercado está aquecido. O setor segue abrindo vagas, e disputar gente boa em dezembro custa caro. Se você vai ampliar equipe, faça agora e treine com calma, seguindo o roteiro de como montar equipe no delivery.
O erro que vemos repetir todo mês de janeiro
Nos clientes que atendemos na Up, o padrão é sempre o mesmo: a folha sobe em janeiro, o dono percebe em março e reajusta o cardápio em abril, já com três meses de margem comida. Operações como a Forneria Gourmet e o Templo do Kalzone só conseguiram crescer porque tratam custo e venda como a mesma conta, não como dois assuntos separados.
O piso de 2027 tem uma vantagem rara: você soube antes. Quatro meses dão tempo para testar preço, ajustar combo, medir produtividade por turno e chegar em janeiro com o número já resolvido.
Perguntas frequentes
O salário mínimo de 2027 já está confirmado em R$ 1.741?
Não. O valor consta da proposta de Orçamento enviada ao Congresso em 31 de agosto e ainda depende da correção pelo INPC apurado até novembro, além da aprovação do Congresso. Use R$ 1.741 como cenário de planejamento, não como número fechado, e revise a planilha em dezembro.
Quanto custa esse aumento para um delivery com cinco funcionários?
Pelo cálculo direto, R$ 600 a mais por mês e cerca de R$ 7.800 no ano considerando o décimo terceiro, sem contar encargos. Somando FGTS de 8% e terço de férias, o custo real fica acima disso. Coloque o número no seu ponto de equilíbrio antes de fechar o orçamento de 2027.
Devo aumentar os preços do cardápio por causa do piso novo?
Não de forma automática e nunca em tudo. Comece medindo margem por item, suba os pratos de maior giro em degraus pequenos e proteja os itens que o cliente usa como referência de preço. Reajuste feito em novembro ou dezembro dilui o impacto e evita a soma de aumentos em janeiro.
Vale a pena trocar funcionário fixo por freelancer no pico?
Depende do seu volume. Freelancer resolve pico pontual, mas cobra mais caro por hora e não conhece a sua ficha técnica, o que aumenta erro e retrabalho. Na maioria dos deliveries, ajustar escala e padronizar preparo rende mais que trocar o vínculo da equipe.
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