Custo por pedido no delivery: como saber se cada venda dá lucro
Custo por pedido no delivery mostra quanto sobra de cada venda depois de taxa, embalagem e entrega. Veja a fórmula, um exemplo real e como reduzir hoje.
Custo por pedido é a soma de tudo que sai do seu caixa para entregar uma venda: ingredientes, embalagem, comissão do app, taxa de entrega, taxa do meio de pagamento e a fatia dos custos fixos. Some tudo, subtraia do valor recebido e você descobre, em reais, se aquele pedido deu lucro ou prejuízo.
A maioria dos donos de delivery acompanha faturamento e ticket médio, mas não sabe quanto sobra de cada pedido. É por isso que dá para vender mais e ganhar menos no fim do mês — algo que a Abrasel já mostrou em pesquisa: uma parcela relevante dos bares e restaurantes fecha o mês no vermelho ou no zero a zero, como detalhamos no artigo sobre os restaurantes que operam no prejuízo.
Qual a diferença entre CMV e custo por pedido?
São coisas diferentes e confundir as duas custa caro.
O CMV (Custo da Mercadoria Vendida) olha só para o prato: quanto de insumo entra em cada item. É a base de tudo — se você ainda não calcula, comece pelo guia de CMV no delivery.
O custo por pedido olha para a venda inteira. Inclui o CMV, mas soma tudo que só existe porque o pedido saiu pela porta: embalagem, sacola, comissão, entregador, maquininha, descartáveis.
Um hambúrguer com CMV de 30% pode virar um pedido com margem negativa depois da comissão do app, do cupom e da embalagem. O prato dá lucro. O pedido, não.
O que entra no custo por pedido
| Custo | Onde some | Como reduzir |
|---|---|---|
| Insumos (CMV) | Ficha técnica desatualizada | Recalcular preço de compra a cada 60 dias |
| Embalagem e descartáveis | Talher, guardanapo, sacola e lacre não contados | Cotar por volume e padronizar tamanhos |
| Comissão do marketplace | Percentual sobre o total, inclusive a entrega | Revisar o plano contratado no extrato |
| Taxa de entrega | Pedido longe custa mais do que rende | Ajustar o raio e cobrar por faixa |
| Meio de pagamento | Taxa de cartão/Pix no canal próprio | Negociar a maquininha e incentivar o Pix |
| Cupom e desconto | Você paga parte (ou tudo) do desconto | Cupom com pedido mínimo e prazo |
| Custo fixo rateado | Aluguel, energia, folha, software | Dividir o fixo pelo volume médio de pedidos |
Repare que embalagem e cupom são os dois que mais escapam da conta. A embalagem parece centavos até você multiplicar por 900 pedidos no mês — e é ela que protege sua nota, como explicamos no guia de embalagem para delivery que não vaza.
Como calcular o custo por pedido: a fórmula
A fórmula é direta:
Custo por pedido = CMV do pedido + embalagem + comissão + taxa de entrega + taxa de pagamento + (custo fixo mensal ÷ nº de pedidos no mês)
E o resultado que importa:
Lucro do pedido = valor recebido − custo por pedido
O passo a passo prático:
- Escolha um pedido real do seu histórico, de preferência o combo mais vendido.
- Puxe a ficha técnica e some o custo dos insumos de cada item.
- Some a embalagem completa — caixa, sacola, lacre, talher, guardanapo, sachê.
- Pegue o valor líquido que caiu na conta, não o valor que o cliente pagou. O extrato do app já mostra a comissão descontada.
- Rateie o fixo: pegue o custo fixo do mês e divida pelo total de pedidos. Se você tem R$ 18.000 de fixo e faz 900 pedidos, são R$ 20 por pedido.
- Repita com 3 pedidos diferentes: o mais barato, o médio e o combo. Você vai descobrir qual deles está sustentando a operação e qual está drenando.
Exemplo: o mesmo pedido no app e no canal próprio
Cenário ilustrativo de uma pizza grande vendida a R$ 79,90, com CMV de R$ 24 e embalagem de R$ 3,50. Os percentuais variam por plano e contrato — confira sempre o seu extrato.
| Item | Marketplace (com entrega do app) | Delivery próprio (WhatsApp) |
|---|---|---|
| Valor da venda | R$ 79,90 | R$ 79,90 |
| Comissão do app (exemplo: 27%) | − R$ 21,57 | R$ 0 |
| Taxa de pagamento (exemplo: 1,5%) | já embutida | − R$ 1,20 |
| Entregador próprio | — | − R$ 8,00 |
| CMV | − R$ 24,00 | − R$ 24,00 |
| Embalagem | − R$ 3,50 | − R$ 3,50 |
| Fixo rateado | − R$ 20,00 | − R$ 20,00 |
| Sobra | R$ 10,83 | R$ 23,20 |
A diferença por pedido parece pequena. Multiplicada por 300 pedidos no mês, vira mais de R$ 3.700 — sem vender um item a mais. É exatamente a lógica por trás do delivery próprio para parar de perder margem.
Atenção: o canal próprio não é gratuito. Ele troca comissão por custo de entregador, tempo de atendimento e esforço de divulgação. A conta só fecha quando você mede os dois lados.
Qual custo por pedido é saudável?
Não existe número mágico, porque muda por operação. O que existe é um sinal claro: se depois de tudo somado sobra menos de 10% do valor do pedido, sua operação está no limite. Abaixo disso, qualquer imprevisto — aumento da carne, uma entrega longe, um cupom mal calibrado — joga o pedido no vermelho.
Três leituras rápidas do seu número:
- Sobra acima de 20%: operação saudável, dá para investir em mídia e crescer.
- Entre 10% e 20%: funciona, mas sem folga. Corte desperdício antes de escalar.
- Abaixo de 10%: revise preço, raio e cupom antes de qualquer coisa.
Como reduzir o custo por pedido sem perder qualidade
- Ajuste o raio de entrega. Pedido distante come a margem inteira. Nosso guia de raio de entrega que dá lucro mostra como definir a área por faixa.
- Reveja o cupom. Desconto sem pedido mínimo destrói a margem justamente nos pedidos pequenos — veja quando o cupom no iFood dá lucro.
- Suba o ticket, não o preço. Combo e adicional diluem o custo fixo e a embalagem no mesmo pedido.
- Recalcule o preço. Se o insumo subiu e o cardápio não, o problema não é volume. É precificação.
- Padronize a embalagem. Menos SKUs, mais volume de compra, custo unitário menor.
Foi assim que operações como a Madonna Pizzas e a Burrata Pizzaria destravaram crescimento com a Up: não vendendo a qualquer custo, mas sabendo exatamente quanto sobra de cada pedido antes de acelerar.
Perguntas frequentes
Custo por pedido e CMV são a mesma coisa?
Não. O CMV mede só o custo dos insumos do prato. O custo por pedido soma o CMV mais tudo que envolve entregar aquela venda: embalagem, comissão do aplicativo, entrega, taxa de pagamento e a fatia do custo fixo. Um prato com CMV saudável pode gerar um pedido com prejuízo.
Como sei se um pedido específico deu prejuízo?
Pegue o valor líquido que caiu na sua conta (não o que o cliente pagou) e subtraia insumos, embalagem, entrega e o custo fixo rateado por pedido. Se o resultado for negativo, aquele pedido consumiu dinheiro. Faça o teste com os três itens mais vendidos.
Devo incluir custo fixo no custo por pedido?
Sim. Sem ratear aluguel, energia, folha e sistemas, o número parece bom e engana. Divida o custo fixo mensal pelo número médio de pedidos do mês e some esse valor em cada pedido. É essa parcela que revela o volume mínimo para a operação se pagar.
Com que frequência devo refazer essa conta?
A cada 60 dias, ou sempre que o preço de um insumo principal mudar, o app alterar o plano ou você lançar um item novo. Quem calcula uma vez por ano toma decisão com número velho — e em delivery o custo muda mais rápido que o cardápio.
Se você quer descobrir quanto sobra de cada pedido do seu delivery e ajustar preço, cardápio e canal com base em números reais, a Up pode fazer esse diagnóstico com você.
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