← Voltar ao blogTicket Médio · 6 jul 2026 · Equipe Up Assessoria · 5 min de leitura

Como precificar no iFood sem perder margem: o guia da precificação para delivery

Aprenda como precificar no iFood sem perder margem: calcule a taxa, os custos e o markup certo para lucrar de verdade em cada pedido do delivery.

Como precificar no iFood sem perder margem: o guia da precificação para delivery

Para precificar no iFood sem perder margem, você precisa embutir no preço de venda três blocos de custo: o custo do produto (CMV), as despesas da operação (embalagem, taxas de cartão, impostos) e a comissão do iFood — que pode passar de 30% no plano com entrega. A conta certa não é "custo + o que eu quero ganhar": é partir da margem que você quer manter *depois* de todas as taxas e trabalhar o preço de trás para frente. Fazer isso errado é o motivo nº 1 de restaurantes venderem muito e não sobrar caixa.

Por que o preço da loja física não serve para o iFood

O erro mais comum é usar o mesmo preço do balcão dentro do aplicativo. No salão, você não paga 23% a 30% de comissão sobre cada pedido. No iFood, esse percentual sai direto da sua margem — então um prato que dá lucro no balcão pode dar prejuízo no delivery.

Antes de calcular qualquer preço, você precisa conhecer seus números reais:

  • CMV (Custo da Mercadoria Vendida): quanto custam os ingredientes de cada item.
  • Embalagem: caixa, sacola, talher, adesivo — some tudo por pedido.
  • Comissão do iFood: varia conforme o plano (entrega parceira costuma ficar na faixa de 23% a 30% + taxas).
  • Taxa de pagamento online: o iFood também cobra sobre o valor transacionado.
  • Impostos: conforme seu regime (Simples Nacional, por exemplo).

Sem esses cinco números na mão, qualquer preço é um chute.

O método da precificação de trás para frente

Em vez de somar custo e "achar" um preço, defina primeiro a margem líquida que você quer manter e calcule o preço que entrega essa margem já descontando a comissão.

Passo 1: some todos os custos variáveis do item

Junte CMV + embalagem + impostos por item. Esse é o seu custo real por pedido, antes da comissão do app.

Passo 2: transforme a comissão e a margem em um divisor

A lógica: se o iFood fica com uma fatia e você quer manter outra fatia de lucro, o custo precisa "caber" no percentual que sobra. A fórmula prática é:

Preço de venda = Custo real ÷ (1 − comissão − margem desejada)

Exemplo com números redondos: um combo com custo real de R$ 20, comissão total de 30% e margem líquida desejada de 20%:

  • 1 − 0,30 − 0,20 = 0,50
  • Preço = 20 ÷ 0,50 = R$ 40

Assim, mesmo depois do iFood levar a fatia dele, sobram os 20% de margem que você definiu. Se você tivesse simplesmente dobrado o custo (R$ 40) "no olho", teria dado sorte — na maioria dos casos, o markup no olho deixa dinheiro na mesa ou gera prejuízo.

Passo 3: compare com o mercado e ajuste a percepção de valor

Preço não vive só de planilha. Depois de achar o número mínimo saudável, olhe os concorrentes diretos na sua região e a percepção de valor do item. Combos, itens exclusivos e produtos difíceis de comparar aceitam preço maior sem travar a conversão.

Estratégias para proteger a margem sem espantar o cliente

Subir preço no cardápio inteiro assusta. Existem formas mais inteligentes de recuperar margem:

  • Preço diferenciado por canal: mantenha o preço do delivery próprio (WhatsApp/site) um pouco menor que o do iFood, já que ali você não paga comissão. Isso educa o cliente a pedir direto com você.
  • Combos e adicionais: o lucro mora nos acompanhamentos, bebidas e sobremesas. Um combo bem montado sobe o ticket e dilui o peso da comissão sobre o item principal.
  • Item âncora: tenha um produto de entrada com preço competitivo para atrair, e itens premium ao lado para elevar a média.
  • Frete e pedido mínimo: ajuste para que pedidos muito pequenos não corroam sua margem.
  • Revisão periódica: ingredientes mudam de preço. Revise a precificação a cada trimestre, no mínimo.

O erro que quebra o caixa: vender no prejuízo sem perceber

Muitos donos comemoram o volume de pedidos no iFood e, no fim do mês, o caixa não fecha. Isso acontece quando a comissão e as taxas comem uma margem que nunca foi calculada. Faturamento alto com margem negativa é uma armadilha — você trabalha mais, entrega mais e empobrece.

A saída é dupla: precificar corretamente cada item e, em paralelo, reduzir a dependência do aplicativo, levando parte dos pedidos para um canal próprio onde 100% da margem fica com você.

Perguntas frequentes

Qual a margem de lucro ideal no delivery?

Não existe um número mágico igual para todos, mas uma margem líquida saudável no delivery costuma ficar entre 15% e 25% por pedido, já descontadas comissão, embalagem e impostos. O importante é que ela seja positiva e conhecida — muitos operam sem saber a própria margem.

Posso cobrar mais caro no iFood do que na loja?

Sim, e na maioria dos casos você deve. Como o iFood cobra comissão sobre cada pedido, praticar o mesmo preço do balcão significa entregar parte do seu lucro ao aplicativo. Ajuste o preço do app para absorver a comissão sem perder margem.

Como calcular o preço de venda considerando a taxa do iFood?

Use a fórmula: Preço = Custo real ÷ (1 − comissão − margem desejada). Some CMV, embalagem e impostos para achar o custo real, transforme comissão e margem em percentuais e divida. O resultado é o preço mínimo que preserva a margem que você definiu.

Vale a pena ter preços diferentes no iFood e no WhatsApp?

Vale muito. No delivery próprio você não paga os 23% a 30% de comissão, então pode oferecer um preço um pouco menor e ainda lucrar mais. Isso incentiva o cliente a pedir direto e reduz sua dependência das plataformas ao longo do tempo.

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