← Voltar ao blogMercado · 20 jul 2026 · Equipe Up Assessoria · 6 min de leitura

Transparência de taxas: cliente já vê quanto o app fica

Nova regra da Senacon obriga iFood, 99 e Keeta a mostrar ao cliente quanto cada um fica de cada pedido. Veja o que muda pro seu delivery e como usar a seu favor.

Transparência de taxas: cliente já vê quanto o app fica

Uma nova regra federal obriga iFood, 99 e Keeta a mostrarem ao consumidor, dentro do app, quanto cada parte fica de cada pedido: a fatia da plataforma, a do entregador e a do restaurante. Para o dono de delivery, isso muda a conversa sobre preço — e cria uma janela para fortalecer o canal próprio antes que o cliente comece a fazer conta.

O que a nova regra determina

A Portaria nº 61/2026 da Senacon (Secretaria Nacional do Consumidor, ligada ao Ministério da Justiça) exige que os aplicativos de delivery detalhem, de forma clara e acessível, a composição do preço que o consumidor paga. Segundo o Estado de Minas, a norma manda informar:

  • O preço total pago pelo consumidor;
  • A parcela da plataforma (quanto o app retém);
  • A parcela do entregador (repasse, incluindo gorjetas);
  • A parcela do estabelecimento (nos pedidos de entrega).

A portaria foi publicada em 24 de março, com 30 dias de adaptação, e a fiscalização ativa começou em 24 de abril de 2026. Segundo a mesma reportagem, seis empresas já foram notificadas por descumprimento: iFood, Mercado Livre, 99, inDrive, Keeta e Lalamove. A base legal é o Código de Defesa do Consumidor — ou seja, é regra de consumo, não de trabalho.

Por que isso importa pro seu delivery

Até agora, o cliente via um preço final e pronto. Ele não sabia quanto do valor ia pro app e quanto sobrava pra você. Isso está acabando. Quando o consumidor passa a enxergar o repasse, três coisas acontecem:

  1. Ele entende que o preço mais alto no app não é "ganância do restaurante" — é a taxa da plataforma embutida.
  2. Ele fica mais aberto a pedir direto com você, se você oferecer um canal fácil e mais barato.
  3. A pressão por transparência também recai sobre você, dono do restaurante, que precisa saber exatamente quanto está pagando por pedido.

E o problema é que muita gente não sabe. Uma reportagem do E-Commerce Brasil mostra que restaurantes reclamam justamente da falta de clareza nas cobranças: no iFood, a taxa costuma ficar entre 12% e 27%; somando logística, promoções e frete grátis, o custo total às vezes passa de 30% — e operadores do Keeta relataram custo por pedido acima de 35%. A promessa de taxas menores das novas plataformas, segundo o levantamento, "não se materializou na prática".

O que muda na prática: antes e depois

SituaçãoAntes da regraDepois da regra
Visão do clienteSó o preço finalVê quanto vai pro app, entregador e restaurante
Percepção de preço"O restaurante é caro""A taxa do app é alta"
Poder do canal próprioFraco (cliente não compara)Forte (cliente vê que direto é mais barato)
Risco pra vocêBaixo, mas margem ocultaPrecisa saber seu custo real por pedido

O que fazer agora (5 ações)

1. Descubra seu custo real por pedido no app. Pegue seus últimos 30 dias de faturamento no aplicativo, some taxa de comissão, taxa de pagamento, participação em promoções e frete grátis, e divida pelo número de pedidos. Esse número — não a taxa "de tabela" — é o que sai do seu bolso. Se ele passa de 25% a 30%, você está financiando o app com a sua margem. Nosso guia de precificação no iFood mostra como recalcular preço sem quebrar.

2. Use a transparência a seu favor no canal direto. Agora que o cliente vê a fatia do app, faça a conta pra ele: no seu WhatsApp ou site, o mesmo prato pode sair mais barato porque não tem 27% de comissão no meio. Esse é o melhor momento em anos para migrar cliente. Veja como em delivery próprio: pare de perder margem.

3. Reprecifique com estratégia, não com pânico. Se o app fica com 27%, seu preço no app precisa cobrir isso sem espantar o cliente. A tática é ajustar combos e itens de alta margem, não subir tudo linearmente. Trabalhamos isso com a Forneria Gourmet e a Pizzaria Manjê, mexendo na engenharia do cardápio antes de mexer no preço cheio.

4. Fique de olho na sua própria "transparência". A mesma lógica de clareza que a Senacon exige dos apps vale pro seu cardápio: descrição honesta, taxa de entrega visível, sem pegadinha no checkout. Cliente que se sente enganado no preço não volta.

5. Não dependa de uma plataforma só. A guerra entre iFood, 99 e Keeta segue quente, e cada uma cobra diferente. Entenda o tabuleiro em a guerra das plataformas de delivery e no que muda com a briga do iFood contra 99Food e Keeta no CADE.

O recado por trás da regra

Transparência de taxa é bom pro consumidor e, no fundo, bom pra você — desde que você esteja preparado. O cliente que passa a enxergar quanto o app fica é o mesmo cliente que, com um empurrão, pede direto no seu canal. A regra não resolve sua margem; ela apenas ilumina o problema. Quem já tinha canal próprio estruturado sai na frente. Quem ainda depende 100% do app precisa começar agora.

Perguntas frequentes

A nova regra reduz a taxa que o iFood cobra do restaurante?

Não. A Portaria 61/2026 é sobre transparência ao consumidor, não sobre limitar quanto o app cobra. A comissão continua entre 12% e 27% (ou mais, com logística e promoções). O que muda é que o cliente agora enxerga essa fatia — o que fortalece seu argumento pra vender direto.

O restaurante precisa fazer algo pra cumprir a portaria?

A obrigação de exibir o detalhamento é da plataforma, não sua. Mas é o momento ideal pra você auditar seu custo real por pedido e revisar preços. A regra escancara um problema que muitos donos de delivery não mediam: quanto de margem some dentro do app.

Isso vale pra 99Food e Keeta também?

Sim. A norma vale pra todos os aplicativos de delivery. Inclusive, 99, Keeta, iFood, Mercado Livre, inDrive e Lalamove já foram notificados pela Senacon por não cumprirem no prazo, segundo a reportagem do Estado de Minas.

Como uso essa mudança pra vender mais no meu canal próprio?

Mostre a conta pro cliente. No seu WhatsApp ou site, deixe claro que o mesmo prato sai mais barato porque não tem a comissão do app. É o gancho mais forte para migrar pedidos — e recuperar a margem que hoje fica com a plataforma.

Na Up Assessoria para Delivery a gente ajuda restaurantes a recalcular a margem real, montar o canal próprio e usar a transparência das plataformas a favor das vendas. Se você não sabe quanto sobra de cada pedido, esse é o primeiro número que precisamos descobrir juntos.

Quer um diagnóstico gratuito do seu delivery?

Deixe seu contato que um especialista da Up analisa o seu delivery e te chama — sem compromisso.