Taxa de entrega no delivery: quanto cobrar sem perder pedido
Taxa de entrega no delivery mal calculada afasta cliente ou come sua margem. Veja como calcular por faixa de distância, quando dar frete grátis e o que testar.
A taxa de entrega justa é a que cobre o custo real do trajeto sem passar do que o cliente aceita pagar. Na prática, some combustível ou diária do entregador, tempo e distância, divida pelo número de entregas e cobre por faixa de quilometragem. Quem cobra taxa única para toda a cidade quase sempre perde dinheiro nos pedidos mais distantes.
Quanto custa de verdade entregar um pedido
Antes de decidir quanto cobrar, você precisa saber quanto gasta. A conta muda conforme o modelo:
- Entregador fixo (CLT ou diarista): salário ou diária, encargos, combustível e manutenção da moto. Divida o custo do dia pelo número de entregas feitas naquele dia.
- Motoboy por corrida: valor pago por entrega, já com o adicional por distância.
- Logística do aplicativo: o app define o valor e desconta do repasse.
Um exemplo simples de entregador fixo: R$ 150 de diária mais R$ 40 de combustível dão R$ 190 por dia. Se ele faz 38 entregas, o custo médio é de R$ 5 por entrega. Só que a média engana. A entrega de 1 km leva 8 minutos e a de 6 km leva 25 minutos. A segunda custa muito mais e, se as duas pagam a mesma taxa, o pedido distante está sendo bancado pelo pedido perto.
Esse custo precisa entrar na sua conta de lucro por pedido. Se você ainda não fez esse cálculo, comece pelo custo por pedido no delivery, que mostra tudo o que sai da margem antes do lucro aparecer.
Quanto cobrar de taxa de entrega
A regra prática: a taxa cobre o custo da entrega naquela faixa de distância, e o lucro vem do prato, não do frete. Cobrar frete acima do custo funciona em poucos casos (região muito distante, horário de pico com fila), porque o cliente compara o total final com o do concorrente ao lado.
Passo a passo:
- Calcule o custo médio por entrega, como no exemplo acima.
- Separe sua área em 3 faixas (por exemplo 0 a 2 km, 2 a 4 km, 4 a 6 km).
- Estime quanto tempo cada faixa consome e ajuste o custo proporcionalmente.
- Compare com o que os concorrentes do seu bairro cobram nas mesmas faixas.
- Defina a taxa cheia por faixa e só então decida onde vale isentar.
Antes de esticar a área para vender mais, vale conferir se a ponta do mapa ainda dá lucro. Esse ponto está detalhado em como definir o raio de entrega que dá lucro.
Taxa fixa, por faixa ou frete grátis: qual modelo usar
| Modelo | Como funciona | Melhor para | Risco |
|---|---|---|---|
| Taxa única | Mesmo valor para toda a área | Operação com raio curto e homogêneo | Pedido distante sai no prejuízo |
| Por faixa de distância | Valor sobe a cada faixa de km | Quem atende bairros variados | Cliente distante acha caro e desiste |
| Frete grátis acima de X | Isenção a partir de um pedido mínimo | Aumentar o ticket médio | Pedido mínimo baixo demais come a margem |
| Frete grátis sempre | Custo embutido no preço dos itens | Cardápio com margem alta | Preço do item fica acima do concorrente |
Na maioria dos deliveries, o desenho que mais funciona é o híbrido: taxa por faixa de distância com isenção acima de um pedido mínimo bem calculado. Assim o cliente perto paga pouco, o cliente distante paga o que custa, e quem quer frete zero aumenta o próprio carrinho.
Frete grátis vale a pena e a partir de que valor
Vale, desde que o pedido mínimo pague a entrega com a margem do que foi adicionado. A conta é direta: descubra quanto de margem sobra por real vendido e veja quanto o cliente precisa gastar a mais para cobrir o frete.
Exemplo: sua margem de contribuição é de 60% e a entrega custa R$ 7. Você precisa de aproximadamente R$ 12 de venda adicional só para pagar o frete. Se o seu ticket médio hoje é R$ 55, colocar o frete grátis a partir de R$ 70 faz sentido. Colocar a partir de R$ 50 é dar dinheiro para quem já compraria de qualquer forma.
Três cuidados que evitam prejuízo:
- Nunca defina o mínimo abaixo do ticket médio atual. O objetivo é puxar o carrinho para cima, não premiar o pedido padrão.
- Ofereça um caminho fácil para completar o valor. Sobremesa, bebida e adicional resolvem. Formatos prontos estão em combos que aumentam o ticket médio.
- Se embutir o frete no preço, embuta com critério. Aumentar 10% em tudo derruba a conversão dos itens de entrada. O raciocínio de repasse está em como precificar sem perder margem.
Isso importa mais do que parece. Pesquisa da Abrasel divulgada em 2026 apontou que 18% dos bares e restaurantes fecharam julho no vermelho e 37% ficaram no zero a zero, cenário que detalhamos em 18% dos restaurantes operam no prejuízo. Frete mal calculado é uma das saídas silenciosas de caixa nesse grupo.
Quem paga a entrega no app e no delivery próprio
No aplicativo, boa parte da decisão não é sua: o app define a taxa exibida ao cliente e, dependendo do plano, a logística é do próprio app. Sobra pouco espaço para ajuste fino, e por isso o frete no marketplace costuma ser tratado como custo de aquisição de cliente.
No canal próprio a lógica se inverte. Você controla a taxa, o pedido mínimo e a área, e a entrega deixa de ser um número imposto para virar alavanca de margem. Restaurantes que equilibram os dois canais usam o app para atrair e o WhatsApp para reter, modelo explicado em delivery próprio pelo WhatsApp.
Foi assim com clientes como a Forneria Gourmet e a Burrata Pizzaria, que trabalharam preço, cardápio e canal próprio em vez de tentar resolver tudo mexendo no frete.
Erros que queimam margem na taxa de entrega
- Taxa única para uma área grande. O pedido de 7 km paga o mesmo do pedido de 1 km e some com o lucro do dia.
- Frete grátis sem pedido mínimo. Vira desconto direto no lucro, sem contrapartida.
- Frete grátis permanente como diferencial. Perde efeito em poucas semanas e não dá para voltar atrás sem irritar o cliente.
- Ignorar o tempo. Entrega longa ocupa o entregador e atrasa as próximas, o que derruba a nota e a recompra.
- Não revisar depois de mudança de custo. Combustível e diária sobem, a taxa fica parada e a margem encolhe sem ninguém perceber.
Revise a taxa a cada trimestre, ou sempre que o custo do entregador mudar.
Perguntas frequentes
Qual é a taxa de entrega ideal para um delivery?
Não existe valor único. A taxa ideal cobre o custo real da entrega naquela faixa de distância e fica próxima do praticado pelos concorrentes da mesma região. Calcule seu custo médio por entrega, divida a área em faixas de quilometragem e defina um valor por faixa, revisando a cada trimestre.
Frete grátis aumenta as vendas do delivery?
Aumenta o volume, mas só aumenta o lucro quando existe pedido mínimo bem calculado. Defina o mínimo acima do seu ticket médio atual e ofereça itens fáceis de somar ao carrinho, como bebida e sobremesa. Sem pedido mínimo, o frete grátis funciona como desconto direto na margem.
Devo cobrar taxa de entrega por km?
Cobrar por faixa de quilometragem é mais simples de comunicar do que valor exato por km e evita que o pedido distante seja bancado pelo pedido próximo. Três faixas costumam bastar. Deixe claro no cardápio e no atendimento quanto custa cada faixa para não gerar surpresa no fechamento.
Vale a pena embutir o frete no preço dos pratos?
Vale quando sua margem por item suporta o acréscimo e o preço final continua competitivo na busca do app. Em cardápios com muitos itens de entrada baratos, embutir o frete derruba a conversão. Nesses casos, prefira taxa por faixa com isenção acima de um valor mínimo.
Se você quer ajustar taxa, área e cardápio olhando para o lucro de cada pedido, a Up Assessoria para Delivery pode fazer esse diagnóstico com você.
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