← Voltar ao blogMercado · 17 jul 2026 · Equipe Up Assessoria · 6 min de leitura

Férias de julho mudam o consumo: o que fazer no seu delivery

Pesquisa da Abrasel mostra 54% dos bares e restaurantes esperando vender mais em julho — mas nem todos. Descubra em qual cenário você está e o que fazer agora.

Férias de julho mudam o consumo: o que fazer no seu delivery

Mais da metade dos bares e restaurantes do Brasil espera vender mais durante as férias escolares de julho. Segundo pesquisa da Abrasel, 54% dos empresários projetam crescimento em relação a um mês comum. Mas o efeito não é igual para todo mundo: julho redistribui o consumo pelo país — e isso muda o que o seu delivery deve fazer agora.

O que a pesquisa da Abrasel mostrou

O levantamento da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), divulgado no início de julho, traz um cenário majoritariamente otimista:

  • 54% dos empresários esperam crescimento nas vendas frente a um mês comum, sem datas comemorativas. Desse total, 44% estimam alta de até 20% e 10% apostam em algo acima disso.
  • Na comparação com as férias de julho do ano passado, 58% acreditam que vão faturar mais. Outros 22% esperam estabilidade e apenas 10% projetam queda.
  • Para 49%, o período é importante ou muito importante para o negócio. Os motivos citados: chegada de turistas e visitantes (49%) e mudança na rotina das famílias no recesso escolar (43%).

O detalhe que quase ninguém comenta: 28% dos empresários dizem que julho tem pouca ou nenhuma importância para o faturamento. Não é pessimismo — é geografia.

"Julho redistribui o consumo pelo país"

Essa é a frase-chave para entender o mês. Nas palavras de Paulo Solmucci, presidente-executivo da Abrasel:

> "Julho redistribui o consumo pelo país. Enquanto algumas cidades sentem a queda no movimento porque parte da população viaja, destinos turísticos vivem um dos períodos mais intensos do ano."

Traduzindo para o seu delivery: não existe "julho bom" ou "julho ruim" — existe o julho da sua cidade e do seu bairro. Se você está em Belo Horizonte, em um bairro residencial de classe média, parte da sua base de clientes literalmente não está em casa. Se você está em uma cidade de inverno ou em região turística, a conta se inverte.

Antes de montar qualquer ação, responda: o seu público viajou ou o seu público chegou? A resposta muda tudo.

Os dois cenários — e o que fazer em cada um

SituaçãoO que costuma acontecerPrioridade da sua ação
Seu público viajou (bairro residencial, cidade não turística)Menos pedidos recorrentes, base ativa menorAumentar ticket médio e frequência de quem ficou
Seu público chegou (cidade turística, região de inverno)Mais gente nova, sem hábito com a sua marcaSer encontrado e converter o cliente de primeira viagem

Se o seu público viajou: foque em quem ficou

Com menos gente na base, brigar por volume é caro. O caminho é fazer mais valor por pedido:

Se o seu público chegou: seja achado por quem nunca te viu

Turista e visitante não têm hábito com a sua marca. Eles decidem no app, no mapa e na foto — em segundos. O que importa:

  • Cardápio e fotos impecáveis. É o único vendedor que você tem com quem não te conhece.
  • Raio de entrega e horários revisados. Movimento fora do padrão pede operação fora do padrão.
  • Avaliação em dia. Cliente novo filtra por nota antes de qualquer outra coisa.

O outro motor do mês: Copa e turismo

O período tem dois reforços que não são sazonalidade normal.

O primeiro é a Copa do Mundo, que vem movimentando especialmente os bares nos dias de jogo — e que, para o delivery, concentra picos previsíveis de pedido em horários específicos. Já tratamos disso em detalhe no guia de delivery na Copa 2026.

O segundo é o turismo internacional. Entre janeiro e maio, turistas estrangeiros gastaram R$ 25 bilhões no Brasil — recorde para o período e 11% acima dos cinco primeiros meses de 2025, segundo dados do Ministério do Turismo citados na mesma reportagem.

Solmucci resume a soma dos fatores: "A Copa sempre muda o clima do país (...) Somada às férias de julho e ao aumento do fluxo de turistas, a competição deve seguir enchendo as mesas."

O alerta que veio escondido na boa notícia

Aqui está a parte que o dono de delivery precisa ler duas vezes. A mesma pesquisa mostra que apenas 8% dos empresários conseguiram reajustar preços acima da inflação nos últimos 12 meses. Outros 57% reajustaram conforme ou abaixo da inflação, e 35% não conseguiram fazer reajuste nenhum. Além disso, 37% dos estabelecimentos têm algum pagamento em atraso.

Ou seja: o movimento melhora, mas a margem continua espremida. Vender mais em julho com uma precificação errada só faz você trabalhar mais para ganhar o mesmo — ou menos. Se você não revisa seu preço há um ano, faça isso antes de ligar qualquer campanha. Nosso guia de precificação no iFood sem perder margem existe exatamente para esse diagnóstico.

Nas operações que acompanhamos aqui na Up — de pizzarias como a Manjê e a Madonna Pizzas a hamburguerias como o Java's Burger —, o padrão se repete: em mês de movimento atípico, quem organiza cardápio, combo e preço antes do pico é quem termina o mês com lucro, e não só com faturamento.

O que fazer nesta semana

  1. Descubra seu cenário. Olhe seus pedidos das últimas duas semanas contra junho. Caiu ou subiu?
  2. Revise a precificação. Antes de promoção, confira se o preço atual ainda cobre custo e taxa.
  3. Monte a ação certa para o seu caso — ticket médio se o público viajou; visibilidade e conversão se o público chegou.
  4. Prepare os dias de jogo. Pico previsível é o mais fácil de lucrar e o mais fácil de perder por operação despreparada.

Perguntas frequentes

Julho é um mês bom para delivery?

Depende da sua localização. A pesquisa da Abrasel mostra 54% dos empresários esperando alta, mas 28% dizem que o período tem pouca ou nenhuma importância. Em cidades turísticas o movimento cresce; em bairros residenciais de cidades não turísticas, parte da base viaja e os pedidos caem. Analise seus próprios dados antes de decidir.

Devo dar desconto para compensar a queda nas férias?

Em geral, não. Com a base menor, desconto derruba a margem sem trazer volume novo — e a pesquisa mostra que 35% dos empresários já não conseguem nem repassar a inflação. O melhor caminho é aumentar o valor por pedido com combos e ações de ticket médio, mirando quem ficou na cidade.

Como aproveitar o público turista no delivery?

Turista decide pelo app, sem conhecer sua marca. Priorize fotos profissionais, descrições claras, avaliação em dia e raio de entrega revisado. Ele não vai procurar seu nome — ele vai escolher o que parecer melhor na tela nos primeiros segundos de navegação.

A Copa realmente ajuda o delivery ou só os bares?

Ajuda os dois, de formas diferentes. O bar ganha o público que sai de casa; o delivery ganha picos concentrados e previsíveis nos horários de jogo, com forte demanda por pizza, hambúrguer e porções. A diferença está em quem preparou estoque, equipe e cardápio para o horário certo.

Se quiser ajuda para ler os números do seu delivery e montar a ação certa para o seu cenário, fale com a Up — a gente faz esse diagnóstico com você.

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