iFood recua na entrega obrigatória: quem escapa e o que fazer
iFood voltou atrás na migração obrigatória para o plano Entregas. Veja quem mantém a entrega própria, o que o score de 1 a 5 muda e como se proteger agora.
O iFood voltou atrás na migração obrigatória para o plano Entregas nas cidades-piloto e agora só os restaurantes com score 1 e 2 serão chamados primeiro. Quem tem score 3, 4 ou 5 segue com adesão opcional e mantém a entrega própria. Na prática: sua nota operacional virou o que decide se você ainda manda na sua logística.
O que aconteceu, exatamente
No início de julho, o iFood comunicou que todos os estabelecimentos de Uberaba (MG) e Imperatriz (MA) migrariam em agosto para o plano Entregas — ou seja, toda venda feita dentro do app teria de sair com entregador do iFood, sem opção de frota própria.
A decisão gerou reação de restaurantes e entidades locais. Em 24 de julho, o iFood recuou. Segundo o 55content, a empresa afirmou que a mudança "ocorreu a partir do diálogo com restaurantes, entidades representativas e parceiros locais", para tornar a transição "mais alinhada às diferentes realidades dos parceiros".
O novo desenho é escalonado por nota. De acordo com a Associação Comercial, Industrial e de Serviços de Uberaba (ACIU), o score vem do programa Super do iFood, que avalia eficiência operacional e experiência do cliente numa escala de 1 a 5.
| Plano anunciado no início de julho | Regra depois do recuo | |
|---|---|---|
| Score 1 e 2 | Migração obrigatória | Convidados primeiro; escolhem entre logística híbrida ou operação 100% iFood |
| Score 3, 4 e 5 | Migração obrigatória | Adesão opcional — pode manter entrega própria |
| Alcance | Todos os restaurantes das 2 cidades | Uberaba (MG) e Imperatriz (MA) seguem como cidades de teste |
Um dado importante do noticiário da ACIU: cerca de 87% dos restaurantes de Uberaba têm score 3 ou acima. Ou seja, a esmagadora maioria escapou da obrigatoriedade — mas escapou *por causa da nota*, não por direito adquirido.
O presidente do Sinhores, Fernando Abdalla, afirmou à ACIU que o iFood garantiu que "os contratos atuais serão preservados e que as condições comerciais dos estabelecimentos não serão pioradas".
Por que isso importa mesmo se você não é de Uberaba
Uberaba e Imperatriz são teste. Modelo testado em cidade-piloto costuma virar padrão. O recado que fica para todo dono de delivery no Brasil é direto: a nota operacional deixou de ser só ranqueamento e virou moeda de negociação.
Quem tem score alto negocia. Quem tem score baixo é convidado a entregar a logística — e junto com ela, o contato com o cliente, o controle do prazo e uma parte relevante da margem.
O iFood justifica a migração com performance própria: a empresa afirma que restaurantes que usam a logística dela cresceram, em média, 40%. Vale registrar que esse número é da própria plataforma, sem auditoria independente, e mistura efeitos difíceis de separar — lojas que migram costumam ganhar também mais visibilidade dentro do app. Trate como argumento comercial, não como lei da física.
O que fazer agora: 4 movimentos concretos
1. Descubra seu score hoje — não mês que vem
Abra o Portal do Parceiro e veja sua nota no Super. Esse número agora define seu poder de escolha. Se estiver em 1 ou 2, você está na fila da migração compulsória quando o modelo chegar na sua cidade.
Subir score é trabalho de operação, não de sorte. Os dois eixos que mais pesam são avaliação do cliente e pontualidade. Se sua nota está travada, comece pelas 8 ações para chegar perto do 4,9 no iFood e pela redução do tempo de preparo, que também derruba seu posicionamento na busca do app.
2. Meça sua entrega própria de verdade
Muita loja acha que a frota própria é mais barata porque nunca fechou a conta. Some salário/diária, combustível, manutenção, seguro e o custo dos atrasos (nota baixa custa pedido). Compare com a taxa do plano Entregas na sua faixa.
Nos clientes da Up, esse cálculo dá resultados opostos dependendo do perfil: em ticket alto e raio curto, como na Forneria Gourmet e na Pizzaria Manjê, a frota própria costuma se pagar. Em operação com pico concentrado e raio largo, o motoboy parado nos vales é dinheiro queimado.
3. Ajuste o raio antes que ajustem por você
Se você vai defender sua entrega própria, ela precisa ser boa. Raio largo demais é a causa número um de atraso crítico — e atraso crítico derruba score, que é justamente o que agora te tira a liberdade de escolha. Vale revisar como definir a área de entrega que dá lucro.
4. Acelere o canal próprio — agora com urgência real
Esse episódio expõe o risco de fundo: regra de plataforma muda sem seu voto. Hoje é a logística; amanhã pode ser comissão, exclusividade ou visibilidade.
O antídoto não é sair do iFood — é não depender só dele. Cliente que pede pelo seu WhatsApp ou site próprio é cliente que nenhuma mudança de plano tira de você. Comece pelo delivery próprio no WhatsApp e entenda como parar de perder margem dependendo só do app.
Na Java's Burger e no Templo do Kalzone, a lógica que usamos é a mesma: o marketplace traz cliente novo, o canal próprio segura o cliente recorrente. Quem monta os dois para de negociar com medo.
O sinal por trás da notícia
O recuo do iFood mostra duas coisas ao mesmo tempo. A primeira: pressão organizada funciona — foram entidades locais e restaurantes que mudaram a regra em três semanas. A segunda: a direção não mudou, só o ritmo. A plataforma segue querendo controlar a última milha, porque a última milha é onde mora o relacionamento com o cliente final.
Seu trabalho não é torcer para a regra não chegar. É chegar nela com score alto e canal próprio rodando — as duas únicas coisas que te dão escolha.
Perguntas frequentes
Meu restaurante é obrigado a usar a entrega do iFood?
Hoje, não em geral. A obrigatoriedade está sendo testada apenas em Uberaba (MG) e Imperatriz (MA), e mesmo lá o iFood recuou: só restaurantes com score 1 e 2 serão convidados primeiro. Score 3, 4 e 5 mantêm adesão opcional e podem seguir com entrega própria.
O que é o score do iFood e onde eu vejo?
É a nota de 1 a 5 do programa Super, que mede eficiência operacional e experiência do cliente — avaliação, pontualidade, cancelamentos e tempo de preparo. Você consulta no Portal do Parceiro. Agora ele define não só sua visibilidade, mas seu poder de escolher a logística.
Vale a pena migrar para a logística do iFood?
Depende da sua conta. O iFood afirma crescimento médio de 40% para quem migrou, mas é dado da própria plataforma. Antes de decidir, feche o custo real da sua frota (salário, combustível, manutenção, seguro e atrasos) e compare com a taxa do plano na sua faixa.
Como me proteger de mudanças de regra das plataformas?
Construindo canal próprio. WhatsApp, site de pedidos e base de clientes na sua mão reduzem a dependência do app e te dão poder de negociação. O marketplace vira canal de aquisição; o canal direto segura a recorrência e a margem.
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